18 de abril de 2010
Por que você faz o que faz?
Você já parou pra pensar o que te leva a fazer as coisas que você faz, e não outras coisas? Por que sua vida segue em determinada direção e não em outra? Este é o tema da palestra abaixo, em que Tony Robbins discute sobre os fatores que vivem motivando nossas ações e muitas vezes não temos ciência deles.
Em outra palestra, foi mostrado que nosso cérebro é bem mais limitado do que pensamos e a todo instante nos ilude com a sensação de que estamos fazendo decisões de acordo com a nossa vontade. Embora os temas sejam parecidos e até inter-relacionados, a palestra acima se foca nos motivos que impulsionam as nossas ações, vistos aqui numa ótica a longo prazo. Assim, ”forças invisíveis” (das quais muitas vezes não temos ciência) direcionam nossas ações pra conduzir nossas vidas até onde nos encontramos hoje.
O meio de descobri-las seria identificar qual motivo que leva um determinado indivíduo a agir. Embora esse assunto não seja segredo pra nenhum psicólogo, este discurso motiva e cativa até quem não é da área, já que remete a uma idéia de mudar o próprio destino (as escolhas das pessoas seriam as ações que fariam suas vidas ir pra um lado ou outro). Segundo o palestrante, as emoções seriam as tais forças invisíveis das pessoas, já que cada emoção orienta o sentido das ações. Para reforçar isso, ele afirmou que as pessoas podem saber das coisas e não usar o conhecimento, tendo em vista que a decisão é o requisito necessário pra transformar o saber em fazer. E a eficácia dessa decisão só seria possível com a emoção certa.
Pra entender o que molda o destino das pessoas, é preciso levar em consideração o foco, pois no instante focamos algo, damos um sentido a aquilo. Esse significado (independente do que seja) gera emoção, que por sua vez cria o que vamos fazer (a ação). Inclusive, certas decisões são tão cruciais que podem alterar completamente o rumo de nossas vidas, pra melhor ou pior. Além do foco, há o estado momentâneo (físico e psicológico), em que realizamos certas escolhas dentro de uma determinada situação. Porém o que nos molda a longo prazo é o nosso modelo de mundo, baseado na tríade “significado-emoção-ação”, que nos leva a tomar decisões pra que nossas vidas sigam em determinada direção.
Baseado nisso, quando queremos influenciar alguém, precisamos conhecer antes o que a está motivando. E independente se é uma venda, debate, paquera ou tentativa de animar alguém, é preciso conhecer dessa pessoa algo que possamos levá-la rumo a direção pretendida. Assim, o se pretende nesse caso é descobrir o que a pessoa quer para poder entender suas necessidades. No entanto, ainda é preciso entender qual o modo que ela acredita que irá conseguir satisfazer suas necessidades (matando pessoas, salvando vidas, trabalhando sem parar, se drogando ou qualquer coisa que sua mente insana e maliciosa possa elaborar). Basicamente, são conhecidas 6 necessidades universais:
Segurança: serve pra evitar a dor ou ficar mais confortável. É um requisito necessário pra se fazer planos e projetos para a vida.
Incerteza: dá variedade e surpreende as pessoas, uma vez que seria tedioso se todos os acontecimentos futuros fossem conhecidos. Chamamos os eventos desconhecidos que são positivos de surpresas e os negativos de problemas.
Significância: a necessidade de se sentir importante, especial, único. Eis a razão de muita gente priorizar a busca de coisas como dinheiro, status, reputação ou de qualquer outro meio que se destaque das demais pessoas. Foi dito que a violência é o caminho mais rápido para atingi-la.
Conexão e amor: consegue-se através da intimidade, do relacionamento, da reza e de andar na natureza.
Crescimento: a necessidade de ter algo a dar de valor.
Contribuir além de si mesmo: o segredo para viver é dar.
Segundo Robbins, as 4 primeiras necessidades são de personalidade, já que as pessoas conseguem se virar através de ações para supri-las, mas as 2 últimas são de espírito, que é de onde a realização vem. Ele fala que o valor de ajudar os outros não é o de falar a respeito, mas o de experimentar. Por mais que todas as pessoas tenham as mesmas 6 necessidades, o alvo que molda cada uma varia. Basta pensar o que te influencia mais: aquilo que você mais valoriza ou a incerteza? A significância ou amor? Independentemente de qual seja o sistema que te comanda, ele te lança para uma certa direção e, ao se mover em determinada direção, você terá um destino. Porém, como a própria metáfora sugere, é preciso mapear o caminho ao se mover em determinada direção, uma vez que há vários caminhos diferentes pra se chegar no mesmo lugar (o rumo que sua vida seguirá a partir daí vai depender da sua escolha).
É nesse contexto que entra a emoção, pois serve como um motor para guiar alguém até onde deseja ir. Foi falado que as pessoas experimentam em torno de 12 emoções, das quais a metade é constituída de bons sentimentos e a outra de ruins. Por causa disso, há pessoas que, independente do que aconteça, acha tudo ruim e há outras que sempre arrumam um jeito de ficar alegres e animadas. O fato de possuir emoções que dêem confiança e perseverança é importante, tendo em vista que se gasta tempo pra percorrer no mapa das necessidades e muitas das vezes é preciso ter persistência para prosseguir.
Naturalmente, tudo isto é uma crítica as pessoas que culpam exclusivamente o mundo e a falta de recursos pelos seus fracassos (como foi afirmado categoricamente no vídeo, as pessoas conseguem qualquer coisa quando têm a emoção certa). Tá claro que o discurso desconsidera a influência ambiental, mas é algo de se esperar dentro de uma palestra motivacional, uma vez que evidenciar as dificuldades do meio desvia o foco das pessoas do que poderiam fazer pra ir mais longe para fazê-las reclamar dos obstáculos que existem. Por isso, dentro deste propósito, considero a abordagem válida, até porque se orienta pra ação e resultados, sendo eficaz em guiar as pessoas pra atingir seus objetivos e buscar satisfação (apesar de não garantir a certeza de tais conquistas). Contudo, é sempre bom desconfiar que apenas força de vontade e perseverança não bastam pra atingir qualquer objetivo, já que quanto maior for a complexidade, maior será a dependência de fatores externos. Em outras palavras, é preciso ter a cabeça no céu e os pés no chão.
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