5 de abril de 2010

Por que as mulheres recebem menos?

Neste tópico polêmico, analiso os sexos masculino e feminino (se houver outro, me avise) em igualdade pra justificar a visão de que estes podem e devem desfrutar dos mesmos direitos e deveres. Por mais que esta posição seja aceita atualmente como o ideal de justiça entre os gêneros, ainda se percebe que as mulheres ganham menos no mercado de trabalho que os homens. Se quer saber o que eu acho, veja aí:

Usei um raciocínio igualitário no tratamento dos sexos pra evitar uma análise tendenciosa e ainda coloquei a minha opinião em algumas situações só pra dar um caráter mais pessoal a discussão. E pra entender por que as mulheres ainda continuam sendo menos remuneradas, busquei analisar também um fator distinto e que não tivesse nada a ver diretamente com o mercado: a paquera. Assim, a minha lógica foi no sentido de tentar estabelecer uma ligação coerente entre ambas as condições e assim responder essa dúvida.

Antes de voltar no assunto do vídeo, vou falar de um conhecimento popular bastante comum: o fato de que somos aquilo que fazemos repetidamente. A cada dia, os outros nos julgam pelas ações que tomamos. Se você se dedica inteiramente a fofocar, a praticar esporte ou a tocar música, as pessoas vão naturalmente te caracterizar com aquilo que perceberem das suas ações. Por isso, quando se junta muitos indivíduos que podem ser agrupados em características semelhantes, as pessoas acabam atribuindo conceitos e opiniões pré-formadas para determinado grupo (estudantes, japoneses, obesos, mudos ou mulheres) sem conhecer cada caso. É aí que surgem os estereótipos e as opiniões generalizadas que estão cravadas na cabeça da sociedade quando se fala de algum grupo.

E o que isso tem a ver com o assunto? Se estamos falando de mulheres, e estas são julgadas como gênero em cada dimensão da sua vida (trabalho, lazer, sentimental), é natural que as pessoas transfiram opiniões que têm de uma dimensão específica para outra sem perceberem (como do trabalho para a paquera e vice-versa). E se você ainda duvida disso, peço a ti que dê uma olhada aqui pra ver que nós, seres humanos, não temos muito domínio do que pensamos e nem sequer conhecemos bem as nossas preferências.

Poderia ter feito minha análise em qualquer outra dimensão da vida, mas escolhi a paquera porque é algo que praticamente todo mundo conhece e frequentemente está exposto a esse tipo de situação, o que facilita entender como as observações feitas aí podem interferir no mercado. Essa lógica é a de reação em cadeia, onde um comportamento aparentemente inadequado em uma situação qualquer vai se perpetuando nas mais diversas esferas da vida até atingir a dimensão final da análise (no caso, a área laboral). E o fator que permite fazer tais analogias reside no mesmo tratamento igualitário empregado para ambos os gêneros em ambas as situações.

Quando falo da paquera, me restrinjo mais a fase da abordagem, que é onde se exige ter mais atitude pra estabelecer o contato inicial frente a uma possibilidade desconhecida de rejeição (na maior parte das vezes é feita pelo homem). Essa questão do homem ser o responsável por tomar a iniciativa está tão enraizada na sociedade que basta dar uma olhada nas dicas de sedução na internet: as dicas masculinas se focam mais nas atitudes que eles devem fazer para abordar, enquanto as dicas femininas se focam mais nos gestos que elas precisam fazer pra atrair seus pretendentes. Com isso, fica óbvio que ainda hoje nossa sociedade estabelece papéis para os sexos e, naturalmente, o papel de maior atitude não é das mulheres.

Esse jeito tradicional de ver as coisas confere inconscientemente aos homens um certificado de virilidade, já que são eles que agem quando querem algo. Assim, essa mesma lógica é repassada silenciosamente pro mercado de trabalho, o que poderia explicar o fato das mulheres receberem menos. No entanto, tudo isso faz parte da visão antiga, já que faz um bom tempo que há uma confusão de papéis na sociedade (se é que atualmente se pode falar nas atribuições de cada gênero). As mulheres fazem coisas hoje que antes eram impensáveis e aí se inclui o fato de tomar atitude pra ir atrás do que querem.

Por experiência própria, nos últimos 5 anos, a quantidade de mulheres que ando saindo por iniciativa delas aumentou assustadoramente (e olha que isso nem chega perto de uns amigos e conhecidos meus que constantemente são abordados por aí). E isso é o mais natural, pois se duas pessoas estão afim, ambas tem seu papel de responsabilidade em fazer algo acontecer, igualmente. Resumindo, não é mais aceitável ver mulheres chamando um cara de frouxo quando este não toma a iniciativa, já que elas também tem a capacidade de fazer o mesmo. Agora, só pode ser considerado frouxo um cara que, após ser abordado por uma garota e, estando afim dela, não fizer nada (e vice-versa). No ritmo veloz que as coisas estão mudando, até as garotinhas andam provando que a atitude faz parte da natureza feminina:

Enquanto até pouco tempo atrás, comunidades do orkut do tipo Odeio homens sem atitude andavam cheias de mulheres, hoje em dia passou a ser o inverso, com muito mais delas pertencendo a comunidades do tipo Mulheres de atitude. É evidente que anda ocorrendo uma mudança na postura da mulher, que deixou de recriminar os homens por não fazerem algo que também não conseguia e passou a agir para ir atrás do que quer. Creio que essa mudança se deu justo no mesmo prazo que relatei ter saído com mais garotas devido a iniciativa delas, o que faz pensar que as críticas que fiz no vídeo logo se tornarão obsoletas. Quero realçar que os homens ainda são os que tomam mais iniciativa (uma simples ida a uma boate já prova isso), como ainda são os que ganham mais. Porém, como considero aqui apenas adultos (pois são os que compõem o mercado de trabalho), não sei se essa realidade também vale pros adolescentes.

Quando a atração física ocorre de maneira recíproca, ambas as partes têm obrigação de fazer algo (se você define um papel pra qualquer parte, está distorcendo a igualdade no tratamento). Mas há várias mulheres que, por comodismo, usam desculpas (infundadas) pra atribuir ao homem o papel de tomar a iniciativa. A mais comum é o medo de serem julgadas como vulgares. Na moral, acho os caras que pensam assim são retardados, pois não enxergam que ambos os sexos podem e devem fazer as mesmas coisas. Porém, se as mulheres ajustam seus comportamentos pra agradar a esse tipo de homem, como querem ser tratadas por igual na sociedade se estão dando valor a alguém que não as trata desta maneira? E o medo de parecer vulgar é tão enraizado que até mesmo as mulheres de atitude se preocupam com isso:

A desculpa da vulgaridade até faria sentido se os homens preconceituosos fossem maioria. Pessoalmente, eu e 90% dos homens heteros que conheço adoraríamos se uma mulher que estivéssemos afim chegasse na gente, independente do tipo de abordagem (os caras do vídeo mostraram isso e inclusive aproveitaram da ocasião pra cantar a moça, mesmo que ela não estivesse paquerando). Por causa disso, considero esse medo da vulgaridade uma desculpa das mulheres para manter o papel cômodo que possuem em apenas aprovar ou rejeitar os pretendentes, sem ter que também se sujeitar a aprovação ou rejeição dos outros. Ou pode ser que estão tão encalhadas a ponto de aceitar qualquer homem que aparece (mesmo os que não as tratam por igual), adotando posturas defensivas com medo de perder suas poucas chances.

Vale lembrar que a vulgaridade não tem nada a ver com o fato de alguém chegar no outro (independente do fato de ser homem, mulher ou se chega em alguém do mesmo sexo). Vulgar tem mais a ver com o fato de estar se relacionando com mais alguém sem o consentimento da pessoa ou quando alguém que topa tudo o que aparecer, sem distinção (pelo menos é assim que encaro esse assunto). Um caso de mulher vulgar é quando alguém chega nela e andam saindo juntos, mas ela também sai as escondidas com outra pessoa que conheceu depois (note que ela não chegou em ninguém). E um exemplo de mulher não-vulgar é quando esta chega em alguém e saem juntos, desde que ela não faça coisas sem o consentimento dessa pessoa (nesse caso, a mulher que teve atitude). Como é pra tratar os sexos igualmente, as mesmas considerações também valem para os homens. Outra dica pra ninguém parecer vulgar é simplesmente evitar isso:

Se as mulheres querem viver num mundo em pé de igualdade com os homens, devem valorizar coisas que as coloquem nas mesmas condições, independente se é no mercado ou em qualquer outra dimensão da vida. Veja como é simples: se o cara é um idiota por julgar mal as mulheres de atitude, por que ela iria dar ouvidos a ele? Não é idiota ouvir (e aceitar) uma idiotice? Logo, o cara não merece a consideração dela. A garota deveria partir pra outra, até porque a maior parte dos homens valorizam as mulheres de atitude. O único cuidado aqui é considerar a possibilidade do cara não estar afim da garota e não querer dar um fora grosseiro nela (muitas confundem isso com “eles ficam assustados quando chegamos”).

Mesmo que as coisas pareçam ser complexas, as soluções são simples. Eu cito no vídeo o exemplo de que não tolero garotas que fazem cu doce, já que quando acontece, sou eu quem dou o fora (mesmo tomando a iniciativa) porque quero selecionar pra mim mulheres que sejam resolvidas, que sabem o que querem e não dependam de joguinhos para conseguir as coisas. Inclusive, acho que muitas mulheres andaram sacando que não é legal fazer isso com seus pretendentes (até porque duvido que gostariam de aturar um cu doce de homem), pois reparei que essa conduta diminuiu bastante ultimamente nas minhas abordagens (lembre-se que não estou falando de micaretas, onde palavras são meramente desnecessárias pra beijar). Logo, quero dar a entender que, quando as pessoas não aceitam uma postura ou comportamento, o outro lado tende a repensar seus conceitos e mudar suas atitudes. É uma reação em cadeia, onde algo aparentemente bobo no mundo da paquera pode repercutir consequências maiores quando levado para o âmbito do trabalho.

Aproveitei do embalo de quando falava da paquera pra enfatizar a questão do cu doce porque é uma ocasião em que há uma quebra grosseira na igualdade do tratamento entre os sexos. Sabe-se que as mulheres que fazem cu doce não tomam iniciativa (ia ser muito estranho ver a mina chegando e, em seguida, esnobando) e estas ainda não mostram o mínimo de atitude quando o cara chega, de modo que esperam ver o quanto o homem iria insistir pra convencê-la de que a merece (como se só ela estivesse escolhendo). Nesses casos, a mulher fica numa posição superior em que decide unilateralmente o destino de ambos. Mas, quando se vê por outro ângulo, a impressão é outra: qual o trabalho que a mulher teve? O cara fez tudo, insistiu e mostrou persistência. Ele trabalhou, ela não. Se isso acontece com frequência, o gênero feminino fica caracterizado por este estigma de se esforçar menos e ganha menos crédito no trabalho. Veja que é uma associação que se faz de modo inconsciente.

Felizmente, as mulheres estão mudando rapidamente este quadro, mostrando que podem fazer as mesmas coisas que os homens em qualquer área. Creio que a maior parte dos homens (incluindo eu) prefira tomar a iniciativa, mas que também gosta muito quando esta parte das garotas, situação que tem se tornado cada vez mais comum. Se a relação é uma via de mão dupla e ambos possuem as mesmas responsabilidades, tanto rapazes e moças devem facilitar o envolvimento entre si. No entanto, essa participação crescente das mulheres nos papéis que antes eram considerados masculinos nos faz pensar se no futuro a situação se inverterá, e veremos os homens nas festinhas lançando olhares e mexendo no cabelo a espera de alguma gatinha os abordar na pista. É mais ou menos essa a idéia desse vídeo:

Apesar das tendências, é improvável vermos esse mundo do vídeo se concretizar, visto que há diferenças biológicas entre as necessidades dos sexos e que as mulheres ainda precisam alcançar os homens em termos de atitude (acho que em poucos anos vou apagar isso que escrevi). Esse texto deve ser enfadonho pra uma garota de atitude, já que não há nada de novo pra quem superou uma etapa que muitas mulheres estão presas ou preferem delegar para os homens. A razão de ter gastado tanto tempo pra falar de paquera foi pra mostrar quais as divergências de valores da sociedade que não tratam os sexos igualmente e que, por causa disso, tais conceitos são repassados ao mercado.

Uma consideração que quero fazer é que foquei a análise do ponto de vista heterossexual, não só porque sou um e assim fica mais fácil, mas também porque o assunto trata de estereótipos e quando o povo em geral pensa num casal, vem de imediato a imagem de homem e mulher, que são a maioria. Assim, não há como falar dos sexos sem ver certos aspectos de forma generalizada, já que se fosse analisar cada caso isolado daria uma lista interminável de fatores e classificações, de modo que muitos homens e mulheres teriam certas características mais parecidas com as do sexo oposto que com as do seu próprio.

Por fim, pode-se tirar como conclusão o fato de que, quando a sociedade internaliza certas imagens de um grupo (mulheres), esta transfere tais características para outras áreas. Basta imaginar um moleque que bate diariamente no seu animal de estimação e qual a influência que isso teria na atitude de sua professora (que sabe disso) ao desenvolver uma atividade de grupo em sala de aula. Como somos humanos, transferimos constantemente julgamentos de uma situação para outra. É natural e não há como controlar, pois acontece sem percebermos. Caso exista um interesse das mulheres em serem tratadas por igual no mercado, é preciso mostrar que podem e devem ser tratadas assim em todas as outras áreas, rompendo o Status Quo estabelecido. Mas isso, elas já estão fazendo e cada vez melhor.

De acordo? Ou sem acordo?

*Importante: Procurei tratar ambos os sexos durante todo o texto de forma igualitária, já que é o modo que as mulheres precisam ser consideradas no mercado de trabalho. Se me desviei desta proposta em alguma parte no texto, quero apanhar de chicote. Qualquer incoerência, ponha aí nos comentários.

Escrito por: Leandro Zayd; em: Idéias

  • Cristiani disse:
    5 de abril de 2010 às 1:47

    Concordo com você em alguns pontos, realmente as mulheres (Deixo claro que não é uma generalização) não querem igualdade em todos os aspectos da vida social. Elas querem pra elas somente direitos iguais, os deveres pode ficar por contas dos homens… Porém sou a favor de um igualitarismo universal, no qual todos os direitos e deveres (mesmos os implícitos) sejam exatamente iguais, sem distinção.
    Só não concordei em um aspecto. Quando diz que a maioria é Hetero. Isso pode acontecer aí onde mora… porque aqui onde moro, a coisa está feia!

  • charlie disse:
    5 de abril de 2010 às 17:49

    a meu ver, isso caracteriza uma sociedade machista em que, ao longo do seu processo histórico de formação – cultural, mais especificamente, mas isto envolve aspectos éticos, políticos e aí por diante -, atribuiu valores a um gênero em detrimento do outro: masculino versus feminino. e as instituições criadas pelo homem reproduziram esse pensamento. em contrapartida, eu penso que a propagação dos meios de comunicação de massa auxiliaram que vários aspectos da vida metropolitana sejam redescutidos, e o papel da mulher na sociedade principalmente. o movimento feminista talvez seja um representante dessa tomada da palavra – mas há vários problemas também.
    gostei muito das observações, leandro. a relação estabelecida com a paquera é um bom exemplo. só não gosto quando esse assunto é tratado como uma questão de gêneros, apenas.

  • PauloPádua disse:
    6 de abril de 2010 às 5:01

    Aeeee Leandrão… eu entendi seu ponto de vista, Concordo com vc. mas a situação não termina por ae… como vc disse uma mulher q toma iniciativa, pode ser tomada por vulgar, o problema nisso, eh como vc falou: Vem de muito tempo! Sempre foi Assim. Enfim, associar a vida pessoal com a profissional da mulher eh muito relativo tmb. O Texto em si ficou ótimo, gostei demais, eu sou muito fã de seus vídeos, tmb faço videos no estilo dos seus e de todo pessoal do Danupala.
    tem muita coisa q vc poderia trabalhar pra abordar melhor essa idéia.. já q eh um assunto interessante e tem muito pano pra mangá.. na verdade resumir a um unico video (mesmo q seja de 9min) eh muito pouco. Mas Parabéns pelos videos e pela pessoa q vc é. =)

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