10 de março de 2010

O maior perigo do Aquecimento Global

Muito se discute hoje em dia sobre o impacto da atividade humana na natureza. E o foco principal dessa discussão gira em torno da tese que o excesso de poluição e desmatamento estaria contribuindo pra elevar a média da temperatura global do planeta, uma variável que se cogita estar relacionada inúmeros desastres naturais. Essa preocupação evidencia a necessidade de se lutar por uma causa ecológica, o que faz muitas pessoas agirem e praticarem ativismo pra defender um mundo sustentável.

Devido a esta mobilização de esforços, expandiu-se a produção de muitos documentários com o objetivo de conscientizar a população. Nesta linha, um dos que merece grande destaque é o Home, pois consegue dentro de uma lógica didática e sistêmica mostrar a destruição que a humanidade tem praticado contra a natureza. E é se baseando nestes argumentos que Al Gore defende na palestra abaixo uma ligação com o Aquecimento Global e a necessidade de se aplicar medidas políticas pra prevenir seus efeitos destrutivos.

Juntando os dois vídeos, percebe-se a idéia central de que um desastre natural imenso está pairando sobre a humanidade (detalhe: um desastre causado por ela mesma). Isso tudo seria conseqüência do fato de que um dos principais meios de produção de energia na nossa sociedade é a queima de combustíveis fósseis, um processo que resulta na liberação excessiva de CO2 (o principal “vilão” do efeito estufa) na atmosfera. Esse aumento do efeito estufa faria a atmosfera absorver melhor os raios solares, o que resultaria na elevação da temperatura média do planeta.

Embora ambos os vídeos tratem de maneira parecida o mesmo tema, transmitem mensagens diferentes, e é por isso que minha análise aqui seguirá separada. Atendo apenas a palestra do Al Gore, vê-se que ele defende veemente a tese do aquecimento global e para isso usa como base em seus argumentos as descobertas do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change), uma instituição que se diz contar com uns dos 2000 dos melhores cientistas climáticos do mundo. Nesta perspectiva, ele propõe que a única solução pra se poder combater o aquecimento global é cobrar uma taxa pela liberação de carbono.

Entretanto, um documentário chamado A grande farsa do Aquecimento Global mostra uma visão oposta, em que outros cientistas renomados criticam inclusive a própria a biografia dos cientistas do IPCC, aqueles que costumam ser chamados de “os melhores do planeta”. Neste documentário, a abordagem é diferente e leva em consideração uma visão mais ampla do planeta, uma vez que analisa a influência de outros elementos do universo. Nessa versão, o clima é tratado como um elemento dinâmico, já que está sempre mudando (ao longo da história, a Terra já passou por inúmeros ciclos de aquecimento e resfriamento).

Assim, dentre as principais variáveis consideradas influentes na alteração climática está o calor emitido pelo Sol. Tendo-se em vista que o Sol é uma estrela com uma superfície instável, qualquer mínima alteração em sua emissão de calor exerceria um papel muito mais importante na temperatura da Terra que a quantidade de gás disponível na atmosfera (lembre-se que a proporção de todo o CO2 na atmosfera é de só 0,054% e que todos os gases do efeito estufa formam juntos apenas uma pequena parte).

Outra crítica feita por esta linha de pensamento é a de que, como a ciência precisa de um problema pra ser financiada, fica mais fácil pro dinheiro fluir pras instituições de pesquisa quando há um sério problema a nível global. Como cientistas estão sempre competindo por fundos, se o campo de pesquisa é do interesse político, haveria um financiamento e, assim, maior facilidade de realização das pesquisas. Assim, a tese do Aquecimento Global por si só serve pra conseguir patrocínio para os projetos, independente da relevância que possui pra investigação.

De modo a reforçar os argumentos contra o Aquecimento Global, o palestrante abaixo (mesmo não sendo um estudioso da área climática) discute os métodos de como se processa a ciência experimental para afirmar que os métodos aplicados nas pesquisas do IPCC são inválidos, o que tornam a teoria uma farsa. Vale reforçar que o discurso dele gira em torno da ciência em si e defende que, ao longo da história, os governos só começaram a se interessar pela ciência por causa de sua aplicação nas guerras, já que podia construir armas mais poderosas e dar mais poder ao Estado (isso faz pensar que as coisas só passam a interessar os governos quando os favorecem, independente do bem que podem fazer pelo povo).

A partir deste vídeo, a discussão se torna mais pesada. Se o Aquecimento Global é uma mentira, por que há tanto interesse em defendê-lo? Por que existe tanta propaganda tentando convencer as pessoas? A lógica mais provável aqui é a de que os governos estão financiando pesadamente isso pra fazer mais pessoas acreditarem nessa teoria e assim aceitarem suas medidas de prevenção (entenda aumento de impostos e taxas), o que os possibilitaria obter um retorno muito maior.

Note que isso é de interesse especial de muitos países desenvolvidos, pois o desenvolvimento dos mais pobres os ajudaria a expandir no mercado internacional, o que os colocaria em concorrência direta com os comércios estabelecidos hoje, dificultando ainda mais suas hegemonias. A taxação do carbono dificultaria ainda mais o desenvolvimento dos países subdesenvolvidos, uma vez que os recursos fósseis respondem praticamente por toda a energia consumida neles. Tendo em vista que a obtenção de energia renovável eólica e solar é cara até para os padrões de países desenvolvidos, esta política se caracteriza numa forma de manter o domínio dos que já estão no topo.

É engraçado como um assunto que deveria ficar restrito apenas ao clima chegou a esse ponto. A teoria climática convergiu a uma teoria política e, segundo os críticos do Aquecimento Global, tudo isso faz parte de uma tática maior que visa descaradamente arrecadar fundos. É algo que faz pensar até onde os governos estão a serviço do povo (se é que já estiveram alguma vez nessa condição).

Para quem ainda insiste em dizer que a tese do Aquecimento Global é tão urgente o quanto está sendo disseminado nos meios de comunicação, basta reparar que o próprio presidente do IPCC pediu desculpas pelo erro de que as geleiras desaparecessem do Himalaia em 2035 (um erro considerável por parte de uma instituição que possui os “melhores cientistas”). Eis um indício de que estão forçando a barra pra convencer as pessoas de uma tese mentirosa.

Outro indício desta farsa está na afirmação de Al Gore quando diz que a cota do carbono é a única maneira de combater o aquecimento. Tudo bem que esteja querendo reduzir a emissão excessiva de carbono na atmosfera, mas por que não preferir investir em novas maneiras para se produzir com energia renovável? A lógica é simples: quanto mais se produzisse com esses meios, menos iria precisar de usar combustíveis fósseis. E melhor ainda: quanto mais fosse incentivado, mais iria desenvolver o setor, o que aumentaria a oferta, reduziria o custo de produção e deixaria a tecnologia ainda mais acessível, de modo que seria emitido cada vez menos carbono. E caso você esteja curioso de onde o governo tiraria verba pra subsidiar isso, veja que bastaria reduzir os gastos militares. É simples! Isto é, se os governos realmente estivessem do lado do povo e da natureza.

Quero ressaltar que também duvido da inocência da fonte que citei criticando o Aquecimento Global, já que os cientistas do documentário não demonstraram qualquer preocupação de evitar a exploração indevida dos recursos naturais. Como há muitas queimadas, poluições e desmatamentos acontecendo a todo momento, acabando com a biodiversidade e piorando a condição de vida das pessoas, isso não pode ser ignorado. Os perigos da atividade humana na natureza são gritantes, por isso a omissão destes cientistas em se mostrar preocupados em proteger os recursos naturais serve como um indício que podem estar sendo financiados por grandes empresas petrolíferas (eles até fizeram questão de negar essa hipótese no documentário).

A teoria destes pesquisadores dá a entender que o único responsável principal pela temperatura da Terra é o Sol. Tal lógica implicitamente livra as pessoas da culpa e cria um consentimento a nível inconsciente de que podem continuar vivendo do jeito que estão, explorando os recursos naturais indiscriminadamente. Porém, como essa justificativa é ótima pra favorecer o negócio das petrolíferas, faz pensar se estas não estão financiando as críticas contra o Aquecimento Global que vemos no vídeo. E pra se ter uma noção do poder de barganha dessas empresas, dê uma olhada no documentário Quem matou o carro elétrico? pra ver como o cartel energético tem dificultado a criação e popularização de outras formas de energia limpa.

Diante de tudo o que foi visto até agora, dá a transparecer que não existe ética em nenhum dos dois lados, já que ambos usam a teoria do Aquecimento Global ao seu modo para defender os próprios interesses. Logo, parece que tudo se resume a famosa política: a antiga e velha briga por poder e dinheiro. Embora a lógica das fatos aponte que o aquecimento global seja mentira, não é muito difícil concluir que seu maior perigo para a humanidade é justamente a manipulação da informação deste assunto para que certos indivíduos atinjam determinados interesses econômicos.

Esse panorama nos coloca dentro de um jogo cheio de conspirações, em que grupos específicos procuram inventar perigos e ameaças a humanidade pra obter lucro vendendo a solução pro problema, enquanto o outro lado simplesmente quer continuar ganhando com as ações danosas que já fazem no mundo. Quero ressaltar que a questão ambiental não é a única, já que também temos a farsa da ameaça global da gripe suína (mesmo que um amigo meu tenha morrido da doença, o que me prova que seja um fato real, foi um infeliz caso isolado que não serve de prova que um dia a doença poderia se tornar uma epidemia global).

A principal lição que se tira disso é que, a cada dia, governo e corporações estão inventado teorias sobre os mais variados aspectos sociais pra ganhar dinheiro em cima da população. Sei que tem muita gente pode não acreditar nisso porque torce o nariz só de ouvir falar em conspiração, mas conspirar é um ato tão natural quanto as mentirinhas que contamos as crianças, que não sabem das coisas, pra que façam o que a gente quer (quem nunca enganou um pirralho baderneiro só pra ele obedecer sua ordem?). E é justamente esse poder de conseguir a adesão das pessoas nos projetos propostos (conseguindo automaticamente sua participação financeira) que faz a informação em nossa época valer mais que ouro.

Sei que a informação é muito importante e é justamente por isso que estou fazendo um post tão extenso pra ajudar a conscientizar pessoas de um assunto que todos ouvem falar, mas que esconde uma proporção muito maior. Com essa postura, estou ajudando as pessoas a romper o Status Quo e a perceber que as coisas são bem mais complexas do que parecem. Pessoalmente, eu mesmo já acreditei em muitas coisas (incluindo o Aquecimento Global) que hoje mesmo possuo opinião contrária e não quero convencer ninguém a adotar o mesmo ponto de vista que tenho, apenas peço que reflita os argumentos apresentados e forme uma opinião própria.

Não sou um profissional da área, mas me informei bastante (as referências estão neste texto) pra expor o que penso. Antes que alguém me critique por isso, veja que cito dois lados opostos que possuem ambos “profissionais renomados mundialmente” e que, se ser profissional em algo garante dizer a verdade, todos deveriam estar defendendo uma mesma posição (o que não ocorre). Além disso, sou um “eco-chato”, pois sou extremamente a favor da proteção ao meio ambiente e acho que deva existir muito mais ações neste sentido. Mesmo assim, discordo completamente dos meios propostos para frear o Aquecimento Global, já que a teoria em si é duvidosa e a cota de carbono tende só a prejudicar os países mais pobres, dificultando a melhoria da condição de vida das pessoas que mais precisam.

Mesmo descartando a hipótese do aquecimento da Terra, ainda é preciso frear a emissão do gás carbônico, já que seu excesso traz prejuízos a saúde das pessoas, em especial no sistema respiratório. Além disso, precisa se evidenciar a necessidade de se preservar a biodiversidade e de resolver os problemas sociais mais graves (coisas que os principais defensores do Aquecimento Global vivem se esquecendo em seus discursos, não é Al Gore?). Com esse objetivo, cito abaixo os dados apresentados no documentário Home pra evidenciar o que realmente estou preocupado nesse assunto e algumas das soluções propostas pra se resolver alguns dos problemas.

*Fome: Mesmo com quase 1 bilhão de pessoas passando fome, a agricultura atual poderia alimentar a humanidade inteira, desde que o alimento das pessoas não fosse destinado pra produção de carne (cerca de metade dos grãos comercializados no mundo são usados na alimentação animal ou em combustíveis). Ou seja, sobraria muito mais comida se diminuísse a pecuária, embora com isso a escassez de carne a tornaria mais cara pra quem estivesse disposto a comê-la.

*Investimentos errados: O mundo gasta 12 vezes mais em gastos militares que em ajuda aos países em desenvolvimento. Apesar disso, os países desenvolvidos têm a cara de pau de querer levar a sério assuntos como a internacionalização da Amazônia e a cobrança da cota de carbono, sendo que desperdiçam recursos mais que suficientes pra financiar programas de proteção a natureza e reflorestamento.

*Desmatamento: A cada ano, 13 milhões de hectares de floresta desaparecem. Ainda, 40% das terras aráveis sofreu danos de longo prazo. E onde está o dinheiro pra prevenir isso? Resposta: parágrafo acima.

*Extinção da vida: Espécies estão desaparecendo 1000 vezes mais rápido que a taxa natural. E ¾ dos sítios de pesca estão esgotados ou em declínio perigoso.

*Falta de água: 1 bilhão de pessoas não tem água potável. Conseqüentemente, 5 mil pessoas morrem por dia por beber água suja.

Vale ressaltar que, embora o documentário presuma a existência do Aquecimento Global (e quem sabe só o tenha relacionado aos dados acima apenas pra obter financiamento), difere da palestra de Al Gore pois não induz o espectador a concordar com a política da cota de carbono pra ajudar o clima. Sua discussão não se prende apenas ao tema ambiental, como também o relaciona com inúmeros outros problemas sociais. E, tentando propor uma solução decente, citou o exemplo da Costa Rica, que eliminou o exército pra dedicar recursos melhores pra educação, turismo e proteção florestal.

A minha posição atual nesse assunto é a de que o Aquecimento Global é uma furada e, por isso, o governo não poderia aumentar (ainda mais) os impostos que pagamos. Mas, mesmo sendo uma mentira, ainda há muita coisa que se precisa fazer pelo meio-ambiente e para a sociedade, sabendo-se que boa parte dos recursos poderiam ser obtidos do que atualmente é investido no setor militar. Além disso, deve-se investir cada vez mais na produção de energias renováveis, uma vez que a exploração dos recursos fósseis continua sendo danosa a vida e possui uma reserva limitada que inevitavelmente se esgotará em poucas décadas.

Escrito por: Leandro Zayd; em: Idéias

  • Thiago disse:
    12 de março de 2010 às 12:48

    Esse post deveria estar em livros didáticos. FIM

  • diefer disse:
    13 de abril de 2010 às 17:39

    realmente isto deveria estar em livros didaticos; mas nossos governantes jamais permitiriam, pois eles também tiram uma boa grana com isso…

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