26 de junho de 2010

Ninguém precisa de políticos

O título acima já revela de cara que a discussão do post será polêmica, já que criticarei aqui uma profissão bem conhecida da nossa sociedade: políticos. No entanto, o que proponho vai muito além do que estamos acostumados a pensar e ouvir, mas como se orienta para uma mudança tão simples, óbvia e necessária, fico arrependido de nunca ter pensado nisto antes. Como o que mostrarei a partir de agora pode parecer ser um soco na cara dos mais conservadores, peço aos leitores que tenham a mente aberta, pois as idéias que virão a seguir podem ser muito importantes para o futuro da humanidade. Preparado?

O vídeo mostra de maneira rápida e resumida a idéia geral do que quero passar, mas é a partir deste texto que vou trabalhar melhor o conteúdo. Como ponto de partida, vou me ater a uma questão básica: quem é o governo e pra que ele serve? Tendo em vista que um Estado (Brasil, Itália ou outro) é constituído por povo, território e poder, o governo é uma entidade que organiza e gere estes elementos. Sem enrolar muito, um governo “democrático”, dentro de uma visão tradicional, possui como objetivo principal mediar as relações das pessoas, para que possam melhorar suas vidas e viver em paz. Em outras palavras, o governo é uma instituição que deve usar seu poder para proteger seu povo e território, de modo que tem como obrigação (entre outras) suprir as necessidades básicas da população (saúde, educação, etc).

Neste sentido, o que significa democracia? A democracia é um regime de governo no qual o poder de tomar importantes decisões políticas está com o povo, por isso é o regime ideal pro bem da sociedade. Assim, a democracia se opõe a sistemas cujo poder se concentra em poucas pessoas (ditaduras, monarquias ou impérios), já que nestes o povo não possui liberdade de tomar decisões e fica sujeito a quaisquer ordens ou abusos vindos dos governantes. Como o poder absoluto só serve a si mesmo, um requisito necessário pra democracia funcionar pro povo é dividir o poder, pois a fragmentação de competências reduz o raio de ação (e de abusos) que alguém pode exercer dentro de suas respectivas funções.

No Brasil, o poder é dividido em:

*Poder Executivo: Tem a função principal de executar as leis criadas pelo Poder Legislativo (leia: administrar o país). É composto por Presidente, Vice-Presidente e Ministros. Na dimensão Estadual e Municipal, temos Governadores, Prefeitos e Vice-Prefeitos, respectivamente.

*Poder Legislativo: Tem a função principal de elaborar leis, além de fiscalizar o Poder Executivo. É composto pela Câmara dos Deputados (que “representa” o povo) e pelo Senado (que “representa” o Estado). Além dos Deputados e Senadores, há também os Vereadores na dimensão Municipal.

*Poder Judiciário: Tem a função principal de aplicar a lei, quando necessário.

Deste modo, percebe-se que, em regra, os membros de um poder não possuem competência pra exercer as atribuições dos outros poderes. Mas, mesmo que essa divisão tenha sido feita para atender melhor as necessidades da população, ainda falta algo, pois nosso país é repleto de problemas sociais que não se resolvem. E antes de falar do que anda errado, note um detalhe importante: todos os 3 Poderes giram em torno das leis (e evitam que alguém tenha o controle absoluto delas), sugerindo que as leis possam ser a chave para se resolver (ou agravar) os problemas existentes. Guarde isso em mente, pois futuramente será a base dos meus argumentos.

No momento, preciso explicar antes quais os tipos de democracia que existem e esclarecer bem a diferença entre eles. Sendo assim, há 2 tipos essenciais: a representativa (ou indireta) e a direta (também conhecida por autogestão). Mas, pra facilitar o entendimento, daqui em diante vou considerar como sendo democracia apenas a representativa, enquanto a direta será chamada de autogestão. Lembre-se que ambas tem como objetivo fazer o governo ser do povo, pelo povo e para o povo.

Democracia

A democracia foi uma evolução fantástica na história da humanidade, pois eliminou o poder absoluto dos reis e possibilitou que houvesse vários avanços sociais, como a mobilidade de classe social. A partir dela, alguém que nascia pobre passou a ter uma chance (ainda que pequena) de ficar rico, e vice-versa. Mesmo assim, ainda hoje é considerada eficaz para prevenir que qualquer país caia em ditadura.

Na democracia, os cidadãos elegem representantes em intervalos regulares, esperando que estes ajam pelos seus interesses. Quando surgiu, as pessoas precisavam de intermediários pra representá-las nas decisões políticas, já que não havia como alguém cuidar dos mais variados aspectos de sua vida (trabalho, família, lazer, etc) ao mesmo tempo em que decidia assuntos importantes da política. Basta imaginar como seria complicado fazer debates ou votações de leis envolvendo milhões de pessoas ao mesmo tempo, é inviável. Foi aí que surgiu a figura do político e das eleições, pois ambos seriam instrumentos pro povo indiretamente exercer seus direitos. Assim, os políticos passaram a ser a voz do povo para “defendê-lo”.

O regime democrático surgiu para permitir que todas as pessoas pudessem opinar na política por meio de alguns candidatos escolhidos nas eleições. Tais pessoas se tornariam o que chamamos de políticos e, em teoria, passariam a agir em nome do povo. Provavelmente, essa foi a única maneira viável pra época que a democracia foi criada no sentido de permitir que as pessoas manifestassem seus direitos políticos. A partir daí, caberia as pessoas a fiscalizar os atos dos políticos e cobrar deles todas as promessas feitas antes da eleição.

Só que isso não serviu pra resolver os problemas, como erradicar a miséria, porque ao invés de trabalhar pelo bem do povo, a maior parte dos políticos vive aproveitando de seus cargos pra se enriquecer. Do outro lado, a população, que deveria cobrar deles, é acomodada. Ainda, esse comodismo é bem mais comum em países deficientes em educação, como o Brasil, pois tornam o povo incapaz sequer de entender quando tá sendo prejudicado por uma medida do governo. Portanto, como é o conhecimento que permite as pessoas enxergarem novos horizontes e exigirem seus direitos, não é vantajoso pra nenhum político malandro o investimento em educação de qualidade, razão pela qual há crises no ensino de vários países pelo mundo.

No caso brasileiro, em que as discrepâncias sociais são enormes, os políticos conseguem piorá-las ainda mais. Afinal, são eles mesmos que decidem o orçamento dos gastos públicos (a quantia de dinheiro que será investida na educação, saúde, meio-ambiente e outros setores), as leis que as pessoas vão obedecer e, principalmente, quanto eles mesmos vão trabalhar e receber de salário. Engraçado, se eles trabalham pro povo, é porque nós somos os patrões e, por isso, deveríamos decidir a remuneração deles. Nesse sentido, nada melhor que uma análise comparativa pra compreender a dimensão disso. Então, pensa aí, quanto é que você ganha trabalhando firme por um ano? Agora imagina o quanto que um político qualquer ganha no mesmo período. Se não sabe, faça as contas:

Vale lembrar que boa parte da grana que você perde nos impostos é só pra pagar o salário dos políticos, na expectativa de que eles representem os seus interesses. Só que, segundo a Constituição, o Congresso tem 2 meses de férias garantidos (sem mencionar que os caras lá só trabalham de terça a quinta-feira) e o pior é que, se estiverem fazendo um péssimo serviço (como estão), não podemos mandá-los embora, porque somos obrigados a aturá-los por 4 anos. Através das leis, eles se deram estabilidade, mesmo trabalhando pra gente. Por acaso você tem estabilidade no seu emprego ou negócio? Você trabalha mais que 3 dias por semana? Você ganha mais que um político? Todas essas vantagens são “direitos” que eles escolheram pra si mesmos (e que nos colocaram para pagar), mas o pior de tudo é que o pior ainda está por vir. O que vou falar a partir daqui é sobre onde eles tiram de fato a maior parte do dinheiro que ganham na política.

Agora sim, entramos no campo da ilegalidade, e é por aqui que ocorrem as maiores manobras no sentido de desrespeitar as leis (que eles mesmos criaram para ser obedecidas). Embora a divisão dos 3 Poderes tenha sido criada pra aumentar a fiscalização recíproca entre os mesmos, não adianta nada se houver jogos políticos por trás. E o que mais há são trocas de favores, do tipo “se você aprovar isso pra mim, ganhará um cargo melhor depois”. Por isso, todo mundo sabe que os políticos roubam. E mesmo que nem todos sejam ladrões, a vasta maioria é assim (na democracia, a maioria vale como a voz do povo).

A democracia veio pra fazer do governo uma entidade do povo, pelo povo e para o povo, mas os políticos já nos provaram que nesse regime democrático quem ganha são eles e seus parceiros.Tá aí a prova de que não é apenas o poder absoluto que serve a si mesmo, pois os intermediários também tiram proveito da situação, se achando os donos do país. Embora a lei diga que todos somos iguais, eles são os únicos que saem impunes pelos próprios crimes. Como a lei só tem valor quando é cumprida, para os políticos as leis não valem nada. Como há esperança de diminuir a corrupção numa lógica assim?

Não quero ser idealista no sentido literal de acabar com a corrupção, até por que ela é inerente a própria humanidade. Quando um pai entrega um dinheiro pra sua filha comprar algo no mercado e ela volta com a mercadoria dizendo que a quantia deu o preço certo, quando na verdade reembolsou o troco, está fazendo corrupção. Se isso acontece até com alguém que se gosta, imagina então como seria com uma pessoa que não tem nada a ver? Porém, é preciso evitar isso ao máximo na sociedade, punindo sempre alguém que for pego praticando o ato (o que é frequente no caso dos políticos). Afinal, sempre que o governo precisa investir nos gastos do orçamento, os políticos fazem acordos com certas empresas pra que aumentem o custo das mercadorias ou serviços contratados e, por baixo dos panos, os ladrões dividem o excedente, reembolsando muito dinheiro. Além disso, mesmo que não roubem diretamente o dinheiro do povo, os políticos também costumam ser pagos por grandes empresas pra defender certas leis que favoreçam suas o comércio delas em detrimento das demais, atrapalhando uma concorrência mais leal no mercado.

Por causa de ambos os mecanismos de corrupção citados acima serem sempre incidentes e recorrentes, vale sempre se questionar: os políticos não deveriam agir pelo bem do povo? Quando roubam dinheiro da população que deveria ir pra fins sociais (saúde, infra-estrutura, meio-ambiente e outros) ou quando atuam pra favorecer o interesse econômico de certos grupos, estão provando que só servem aos próprios bolsos (a grana que conseguem com essas maracutaias é muito maior que o salário gigantesco que já ganham da população). Logo, os políticos não representam o povo, apenas eles mesmos. Então, já entendeu pro bem de quem que o governo funciona?

É óbvio que, quanto maior for o poder absoluto (ditaduras, monarquias ou impérios), maior será o nível de corrupção, pois o povo terá menos condições de cobrar ou fiscalizar as ações de quem está no poder. A democracia é muito melhor que tais regimes autoritários, mas é um engano achá-la o melhor sistema, pois os políticos são intermediários que tiram o poder da população de escolher diretamente o que quer para si. E se o governo pretende ser um órgão do povo, pelo povo e para o povo, deveria agir exclusivamente para este objetivo, e não para enriquecer canalhas. Aliás, as pessoas que ocupam cargos políticos no governo se enriquecem tanto que vale a pena questionar: o que é a eleição pra eles?

Enquanto pro povo a eleição é vista como um meio de manifestar sua vontade e escolher alguém pra (em tese) defender seus interesses, pros políticos a eleição é tida como um mercado. Enquanto depositamos nossos desejos nas urnas pra criar um mundo melhor, eles estão brigando entre si para nos provar quem passa a imagem de ser o mais apto a realizar nossas vontades. Ver os vários partidos políticos concorrendo entre si pra eleger seus candidatos é o mesmo que observar um bando de comerciantes querendo vender sua mercadoria pra um consumidor, mas o produto sempre vem com defeito e o cliente não pode exigir a troca (ele vai ficar com ela por vários anos até ter a oportunidade de escolher outra mercadoria). Imagine se o mercado funcionasse desse jeito. Aliás, não funcionaria.

Não é preciso ter muitos neurônios para entender o motivo pelo qual os partidos políticos são doidos para estar no governo, porque é muito dinheiro que há nele, muito mais do que ganhar na loteria. Se há muita gente que disputa um Big Brother em busca de dinheiro (ou fama), o mesmo acontece nas eleições: todos querem ganhar votos da audiência e, pra isso, interpretam papéis como atores (mesmo que não sejam o que estão se mostrando ao público), tentando convencer quem vai votar. Como já foi dito, o maior interesse dos candidatos nas eleições não é o salário dos cargos, mas o benefício de ocupar tal posição (que garante diversos meios de enriquecimento ilegais). Os desvios de dinheiro chegam a ser trilionários, só pra poder bancar as caríssimas campanhas políticas em épocas de eleição e convencer (ou comprar) o voto do maior número de pessoas, pra que assim possam voltar ao governo e roubar ainda mais. Vale lembrar que vários candidatos são patrocinados por grandes empresas, de modo que, ao serem eleitos, têm uma dívida muito maior em defender os interesses dessas companhias que os do povo.

Em suma, a eleição para os políticos é um jogo de enriquecimento. Será que os partidos políticos gastariam tanto dinheiro em campanhas só pra defender o interesse da sociedade? Lógico que não! A grana gasta é tida como um investimento, pois se forem eleitos vão ganhar (roubar) muito mais. O pior é que, segundo as leis que eles mesmos criaram pra si, os caras têm estabilidade de vários anos na função, enquanto durar o mandato. Ou seja, mesmo que façam coisas erradas, fica muito difícil pro povo tirá-los de lá (se fosse fácil retirar os corruptos, sobraria alguém no Congresso?). Outra coisa cruel é que as leis permitem o governo gastar além do que está previsto no orçamento (gastar mais do que tem). Então, por mais que paguemos impostos elevados, o desvio de dinheiro obriga o governo a pegar emprestado mais dinheiro com bancos e agiotas pra executar suas funções, gerando dívidas que não acabam mais.

É aí que surge a dúvida: será que essas dívidas são públicas? Veja bem, os políticos criam dívidas que não estão no nome deles e, após roubarem grande parte do dinheiro, deixam a gente pra pagar a conta no final (depois de todos os impostos caros que já pagamos). Por acaso você se lembra de ter pego algum dinheiro emprestado? Duvido muito. Mas você paga isso, todo dia. E o pior é que não vai parar de pagar nunca, pois os políticos continuam a endividar e esse débito fica cada vez maior porque os juros dos banqueiros são enormes. Os políticos e os banqueiros, que já têm muito, vão ficando cada vez com mais, restando a todos nós ter que ralar ainda mais pra sustentar o luxo deles. Bem-vindo a escravização moderna!

Então, como pode o governo ser do povo, pelo povo e para o povo, se o mesmo mantém certas leis que só agravam os problemas sociais? Como exemplos, temos as leis dão estabilidade aos políticos e as que permitem o governo realizar gastos extra-orçamentários. Com isso em mente, fica óbvio a razão pela qual o controle das leis se divide entre os 3 Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), já que a forma como são aplicadas pode levar tanto ao desenvolvimento quanto a escravização de um povo. Porém, de nada adianta essa divisão se também existem acordos secretos entre os membros dos 3 Poderes, que driblam toda a finalidade da fiscalização recíproca entre si, gerando como consequência a impunidade.

Creio que só alguém muito ingênuo pra não acreditar que existe esse tipo de conspiração política. Contudo, essa sacanagem que existe entre os 3 Poderes é apenas o ponto de partida que permite a existência de manobras e conspirações muito maiores, como o famoso Clube de Bilderberg a nível global. Esse último, em especial, refere-se a uma reunião periódica entre as pessoas mais poderosas e influentes do mundo (principalmente donos de grandes corporações e membros do alto escalão de certos governos), que fazem discussões secretas sobre temas que não chegam ao conhecimento da população. Assim, tá na cara que a finalidade desse tipo de coisa é criar estratégias (como a teoria do Aquecimento Global) que mantenham a economia funcionando muito mais pra eles que pra própria população.

Tais acordos secretos entre os vários tipos de poderes (governamentais e empresariais) se convergem em uma sinergia tão poderosa que força as coisas continuarem seguindo na direção que estão, colocando toda a população pra pagar uma dívida pela qual não contraiu. Note que não estou afirmando que exista alguém controlando o mundo, mas que o resultado dos diversos acordos se materializam aos nossos olhos através das políticas do governo: impostos altos, oligopólios empresariais, dificuldade de trocar políticos corruptos e guerras. Porém, quando certos políticos que não fazem parte destes esquemas são eleitos, tentam retaliar fechando a economia de um país pra diminuir a interferência externa (muitas vezes caindo em ditadura) ou apelando pra medidas assistencialistas na tentativa de conseguir votos nas eleições seguintes. Seja como for, em todos os casos os interesses dos políticos é ficar no governo pra se dar bem, deixando as pessoas em segundo plano. Então, como saber em quem confiar? Foi devido a essa dúvida que nasceu a idéia do voto nulo:

Segundo a visão do vídeo, o voto nulo é considerado apenas um meio de protesto; não anula eleição e serve apenas pra mostrar o descontentamento da população, como se isso por si só fosse suficiente pra mudar o perfil dos candidatos. Repare que esse tipo de ideologia ainda é presa a democracia, pois espera um dia ter políticos melhores no governo, mantendo intocável a atual estrutura dos 3 Poderes. Mas a incoerência desta crença é que o governo sempre será um interesse certo pra qualquer um que ama dinheiro e poder acima de qualquer coisa, por isso sempre vai ter pessoas mal intencionadas tentando enganar o povo pra chegar lá. Votar nulo não resolve esse problema, além do que os políticos podem prometer coisas boas e cumprir outras. O pior é que, mesmo se trocar eles por outros, o ciclo vai se repetir novamente. E é justamente isso que quero criticar nesse post: a crença de que os políticos são necessários nos dias de hoje.

As pessoas costumam pensar que, se político A não serve, B ou C deverá servir algum dia. Contudo, toda a conspiração mundial que citei anteriormente é apenas um exemplo entre vários na história da humanidade que mostra que o poder sempre serviu a si mesmo. Assim, a eleição, que deveria servir pra dar mais poder de decisão as pessoas, é na verdade uma ilusão. Isso porque quando as pessoas votam, elas têm a falsa sensação que estão sendo úteis ao escolher o futuro que querem pra si, enquanto na verdade vão continuar pagando a conta de outras pessoas. A eleição em si é tida como um desperdício de energia, já que o povo passa muito tempo tentando decidir qual candidato é o certo, ao invés de usar a mesma força e disposição pra construir as mudanças que quer para si. Nessa lógica, seria muito mais útil se os partidos políticos gastassem em obras sociais o dinheiro que usam pra convencer as pessoas nas campanhas, mas parece que o objetivo principal dos políticos não é ajudar a população.

Você já parou pra pensar porque aqui no Brasil o voto é obrigatório? Ou, em outras palavras, por que o que deveria ser um direito se tornou um dever? A lógica é simples, pois obriga pessoas que não têm qualquer consciência ou interesse político a votar e, como estas pessoas são desinformadas, acabam escolhendo justamente os candidatos que mais aparecem nas campanhas (os mesmos que mais roubaram dinheiro público para bancar essas campanhas ou que são patrocinados por empresas). Afinal, o baixo nível de escolaridade deixa as pessoas mais influenciáveis, com menos conhecimento pra contestar as propostas dos candidatos. Logo, o voto obrigatório é um mecanismo de autodefesa dos políticos para permanecerem o máximo possível no governo. Na contramão, o voto nulo serve como uma forma de protesto contra esse tipo de obrigatoriedade.

Diante do que já foi discutido, a lógica diz que políticos não prestam; o simples fato de acreditar que eles têm alguma utilidade é o pressuposto básico que mantém o trem do governo nos trilhos da corrupção. Veja que estou generalizando, pois mesmo que nem todos os políticos sejam corruptos, a vasta maioria é assim. Ou seja, é justamente aí que entra a maior importância do voto nulo, pois ajuda a conscientizar a sociedade que nenhum “representante” irá resolver os problemas e que a democracia não é o bastante para trazer justiça social. Com esse pressuposto básico, fica mais fácil aceitar que a democracia é uma ilusão, uma vez que a sociedade só teria utilidade pra escolher políticos, mas perderia toda sua importância a partir daí (junto com o poder de decisão). Essa crítica de poder escolher apenas pessoas, mas não políticas ou leis, é a mesma apontada no início da palestra abaixo:

Com isso, quero mostrar que as pessoas são muito limitadas na democracia. Toda vez que se descobre algum tipo de corrupção no governo, ouvimos coisas do tipo “é o povo que não sabe votar direito”, quando na verdade é que não há boas opções disponíveis. Tem gente que acredita na eleição como a oportunidade do povo de mudar o país, quando sequer entende nada do que escrevi até agora. Faz mais sentido pensar que o voto é um mito, pois toda vez as pessoas trocam seis por meia-dúzia. Mas o pior de tudo é que sobra pro povo o dever de fiscalizar os políticos (como se ninguém tivesse mais nada pra fazer da vida) e, quando se descobre o roubo, a culpa fica pra sociedade por ter votado errado. Isso é um paradoxo! Se o povo tem que se dar o trabalho de fazer coisas neste sentido, compensa muito mais empregar seus esforços pra exercer as mesmas atividades que os políticos. Razões não faltam pra deixar de depender dos políticos, por isso é muito mais inteligente passar a enxergá-los como uma profissão inútil do que criticar o povo por não saber votar.

Toda essa crítica vai de contra a um recente movimento popular, a Ficha Limpa, que visa proibir os políticos comprovadamente corruptos de se elegerem novamente. Note que, dentro da democracia, isso deveria ser obrigatório desde o princípio, mas nunca existiu porque os políticos não têm interesse em ser punidos pelos seus roubos. Mesmo que a idéia possa parecer algo inteligente, eu não assinei porque não acredito que o caminho seja por aí, já que os próximos candidatos eleitos vão repetir as mesmas coisas dos anteriores. É um esforço inútil, pois se o povo quer mudança de verdade, precisa começar a pensar em fazer as decisões por si mesmo, sem intermediários. Logo, a solução dos problemas não se faz mudando os políticos, se faz é eliminando a função deles do governo.

Eu sei que é difícil pro povo se desvincular completamente da idéia de democracia, pois até mesmo vídeos que fazem excelentes análises sistêmicas esperam soluções vindas deste tipo de governo. Existem muitas pessoas inteligentes que ainda vivem presas a idéia de que precisamos de políticos, talvez porque nunca pararam pra pensar que poderia ser diferente. Provavelmente, quem contribuiu para a Ficha Limpa deve ter tido uma falsa sensação que fez algo de útil pro país, mesmo que na prática não vá mudar muita coisa. Na verdade, as pessoas precisam enxergar por além das aparências, pois a realidade pode ser bem diferente do que pensam:

Já decidiu qual a pílula que você vai tomar? Se sua intenção é seguir em frente, saiba que até agora só fiquei apedrejando a democracia porque tenho algo melhor a propor em seu lugar. Assim sendo, vou parar de falar dos defeitos e me concentrar na solução: a autogestão.

Autogestão

A principal diferença para a democracia é que na autogestão as pessoas passam a decidir as coisas por si mesmas, e não através de intermediários (políticos). No entanto, se no passado foi necessário pro povo ter criado a função de representantes para tomar as decisões em seu lugar, hoje isso não é mais necessário porque já possuímos a favor um elemento que antes não existia: a tecnologia certa.

Até o final da década de 80 – época em que foi feita nossa última Constituição – era impensável um mundo totalmente dependente ficar conectado ao mundo virtual, como o que temos hoje. Quem que naquela época poderia imaginar que quase todo mundo hoje teria celulares e que estes tocam músicas, vídeos, tiram fotos e até navegam na internet? Aliás, a própria internet foi outro fator que se massificou da revolução tecnológica, já que é difícil encontrar pessoas que não usam e-mail, msn, orkut, youtube, facebook ou twitter (até o fato de você estar lendo isto significa que provavelmente está conectado a ela). E pra visualizar melhor o impacto da inovação tecnológica na vida das pessoas, o vídeo abaixo (que mesmo sendo de 2007) fornece uma noção de como nossa vida é afetada por essas transformações:

A incorporação de novas tecnologias muda o hábito de vida das pessoas e traz novas possibilidades de se relacionar com o mundo, tornando obsoletos alguns aparelhos e práticas antigas. Como comparação, basta pensar em quantas máquinas de escrever foram substituídas por computadores, já que desapareceram do mercado. Ainda, com a atual popularização das tecnologias de toque na tela e de comando por voz, pode ser que até os próprios teclados dos computadores sumam de vez do mercado, restando a nós apenas viajar na idéia de até onde a tecnologia vai nos levar. Um aspecto importante é que a troca das máquinas de escrever por computadores devastou certas profissões, como a dos datilógrafos. Assim, mercadorias e profissões podem ser substituídas em decorrência da mudança tecnológica, que gera a necessidade de trocar o velho pelo novo, para se obter uma maior eficiência nas operações. É com essa lógica que afirmo que a profissão dos políticos ficou obsoleta, já que a própria tecnologia permite a população criar meios fáceis de executar as funções que antes eram atribuições exclusivas deles.

Se antes a sociedade dependia dos políticos, hoje não mais. Naquela época, em decorrência das limitações físicas e organizacionais, era impensável viabilizar debates políticos diários com a sociedade inteira (como milhões de pessoas juntas iam discutir?), por isso surgiu a figura dos políticos. Contudo, hoje há milhões de pessoas que debatem diversos assuntos pela internet simultaneamente (imagine quantas discussões sobre um mesmo assunto ocorrem em twitter, fóruns, e-mails ou em comentários de vídeos). Assim, há na internet meios fáceis das pessoas entrarem em contato com diferentes visões de mundo antes de formar uma opinião própria que decidirá como a sociedade vai funcionar. Tais debates só são possíveis porque no mundo virtual as distâncias são pequenas, permitindo que todos possam participar por onde quiserem, sem a necessidade de estarem presentes ao mesmo tempo. Se as pessoas discutem e elegem diretamente as idéias e projetos por elas mesmas, estão fazendo o que era a função dos políticos, cuja profissão passa a ser desnecessária. Deste modo, o povo ganha mais liberdade e passa a viver na autogestão, cujo princípio máximo é “se quer algo bem feito, faça você mesmo”.

Com certeza, veremos pessoas criticando a autogestão com os argumentos de que é inviável governar um país virtualmente, mas como é que se pode afirmar isso se os próprios bancos hoje em dia operam nesse esquema? A tecnologia necessária já existe e é amplamente usada, produzindo resultados praticamente instantâneos. Isso ocorre porque no mundo virtual as distâncias são muito pequenas, o que possibilita as pessoas compartilharem não apenas informações ideológicas a respeito de um assunto como também de natureza monetária ou de qualquer outro tipo. O sistema virtual é prático e eficaz, que facilita bastante a vida de seus usuários e que, cada vez mais, tem se provado ser um meio seguro para se desenvolver atividades das mais diversas. Então, já que funciona bem para a sociedade, porque não aplicar o mesmo conceito na política?

Para explicar melhor, listarei a seguir um método preliminar (hipotético) de como funcionaria da elaboração de leis na autogestão, apenas como fim didático: 1ª) Pessoas propõem projetos de lei a uma comissão do governo, que verificará se estão de acordo com a Constituição vigente (se forem recusados injustamente, elas poderão recorrer ao Poder Judiciário); 2ª) Depois do prazo de inscrição dos projetos, inicia-se o prazo para a população discuti-los (onde, como e com quem quiser) e votá-los. Os votos poderão ser realizados em terminais eletrônicos espalhados pelos municípios (através do uso de cartões magnéticos semelhantes aos de bancos ou de qualquer outro mecanismo que identifique o indivíduo) ou pela própria internet (desde que o sistema possua uma segurança garantida contra ataques cibernéticos). Ninguém será obrigado a participar, mas no final todos deverão acatar o que for decidido pela maioria dos votos; 3ª) O projeto de lei aprovado virará lei e nenhum membro do Poder Executivo terá o poder de vetá-lo. Como a ordem foi dada diretamente pelo povo, não há o que contestá-la (a existência do governo só tem sentido se é pra exercer a vontade da população).

Nessa lógica, o povo terá consigo todas as competências do Poder Legislativo, cuja função principal é criar leis e fiscalizar os demais poderes. Como a população passará a exercer essas atividades, todos os cargos políticos desse Poder serão extintos (senadores, deputados e vereadores). Porém, devido a necessidade de se administrar o país, a autogestão ainda não é suficiente para substituir completamente o Poder Executivo, razão pela qual disse no parágrafo acima que haveriam membros nesse Poder. A justificativa se deve ao fato de que a administração é uma atividade que exige agilidade e eficiência, por isso continuará precisando de alguém pra assinar tratados internacionais e tomar medidas de urgência que não abrem espaço adequado para uma discussão pública. Curiosamente, como nem todos os cargos políticos serão desnecessários, o título que pus neste post (e no meu vídeo) ficou parcialmente incoerente com o que estou defendo. Todavia, o motivo pelo qual o fiz desta maneira será explicado mais adiante .

A transferência do Poder Legislativo para o povo acarretaria em uma mudança adicional na relação entre os 3 Poderes. Atualmente, os Poderes são independentes e harmônicos entre si, mas na autogestão a coisa é diferente, pois o Poder Executivo passaria a ser subordinado ao Poder Legislativo (todos os seus membros vão obedecer o que for decidido pela população). Por sua vez, o Judiciário deveria se manter independente dos demais, na tentativa de preservar o máximo de neutralidade possível nos julgamentos. Com essa nova ordem, o Poder Executivo não será mais tão poderoso, uma vez que passa literalmente a ser empregado da sociedade, cumprindo as ordens que lhe são dadas. Devido a essa condição, proponho algo polêmico, mas coerente com essa lógica: o fim das eleições. Afinal, como o poder da autogestão fica com o povo, não há mais motivo pra se escolher representantes. Assim, os membros do Executivo serão escolhidos através de concursos públicos com critérios rigorosos e, independente de quem venha a ocupar qualquer cargo, terá o mesmo destino: obedecer as ordens dadas pela nação. Ou seja, nem mesmo se Hitler fosse o presidente do país conseguiria fazer o mal que ele fez; as decisões políticas não viriam dele e, se desrespeitasse isso, o povo o tiraria de lá imediatamente. Na autogestão, votações (não em pessoas, mas em leis) acontecem a todo momento e é isso o que vai botar ordem na casa.

O fim da estabilidade dos políticos é o fator que vai obrigá-los a obedecer as ordens do povo, já que este poderia tirar do governo sem dificuldade os que fizessem coisas ilegais ou fossem ineficientes. Portanto, para que essa realidade exista, deverá haver também uma transparência absoluta de todas as informações do governo, permitindo a população fiscalizar os demais Poderes. Quem sair da linha será tirado da função; fato que deve contribuir pra reduzir o problema da impunidade no nosso país. Vale lembrar que, ainda com relação ao Poder Executivo, existem hoje diversos Ministérios e cargos que são desnecessários (que só surgiram por causa de acordos secretos dos políticos), mas que com a autogestão a população também teria o poder pra dissolver os que julgasse inúteis (economizando mais nos gastos públicos). Veja:

No momento que a sociedade faz suas próprias escolhas, a autoridade deixa de ser pessoas (políticos que acham que o mundo é deles) para ser idéias. Essa mudança de foco inevitavelmente levará a população a valorizar mais indivíduos com visões amplas, com intelecto o suficiente pra ser formador de opinião, já que é normal buscar informações de certo assunto com quem entende bem dele. Logo, teremos um maior espaço na mídia para discutir quais propostas de leis estão (ou poderiam vir a estar) em andamento, aumentando a procura e a discussão desses assuntos, especialmente na internet. Toda essa reação em cadeia vai fazer com que a política pública passe a ser parte real da vida das pessoas, não apenas um fato distante que as pessoas acompanham pela televisão. Com isso, veremos com mais freqüência as pessoas conversando sobre coisas que extrapolam o desinteresse político, já que estariam participando mais de decisões sociais importantes.

Entretanto, basta uma análise superficial da democracia para ver como todo esse progresso na mentalidade dos cidadãos é barrado quando as decisões são concentradas nas mãos dos políticos. O fundamento disso se justifica pelo fato de que o progresso da humanidade depende diretamente se esta exerce seus direitos fundamentais. Foi com esse argumento que, há certo tempo atrás, os políticos destruíram o valor do diploma dos jornalistas, alegando que a informação era um direito de todos e, portanto, não poderia ser concentrada nas mãos de poucas pessoas. Mas veja como é irônico, pois a liberdade do povo decidir diretamente suas políticas sociais também é um direito social igualmente importante, o que também justificaria a extinção da profissão dos políticos, já que monopolizam em suas mãos esse direito público tão fundamental. Daí resta aos ex-jornalistas se questionarem: não seria justo dar o troco nesse sentido?

Na autogestão a própria sociedade fará o papel dos políticos: enviar projetos, discuti-los e escolher o melhor (o que deixam a desejar). Mas como tal mudança é inédita, muita gente deve ficar em dúvida se a sociedade conseguiria ao menos propor projetos, já que não receberá salários e nem irá trabalhar “tempo integral” por conta disso, como os políticos (que na prática só trabalham 3 dias da semana e 10 meses por ano). Porém, mesmo que o povo não seja remunerado pra fazer projetos de lei, ele o fará, pois há muito mais pessoas do lado de cá que podem fazê-lo (em todos os dias do ano) e também porque boas políticas livram o governo de despesas elevadas e desnecessárias, poupando melhor seu dinheiro. Em suma, as pessoas ganharão indiretamente com isso e, inclusive, muitas vão se associar em grupos ideológicos afins (substituindo os partidos políticos) pra promover campanhas de conscientização popular a respeito de suas idéias. Trocando em miúdos, além de não ganhar pra fazer as funções dos políticos, haverá gente gastando dinheiro pra isso. Vale lembrar que as Universidades são um lugar inato e natural para o surgimento de propostas diversas, já que o conhecimento produzido por elas só faz sentido se for aplicado pra melhorar a vida das pessoas (caso a população goste, poderá aumentar o financiamento delas). Por outro lado, instituições privadas, ativistas ou qualquer interessado também poderá fazer seus próprios projetos. Caso haja uma ausência completa de propostas, os próprios chefes do executivo poderão criar medidas provisórias, que dependerão de posterior aprovação, reprovação ou modificação feita pela população para se transformarem em leis.

Com essa nova forma de organização da sociedade, com certeza obteremos um melhor aproveitamento e controle dos recursos públicos, já que teremos inúmeras pessoas que passarão a fiscalizar as ações do Poder Executivo (sendo que os ocupantes de seus cargos poderão ser facilmente substituídos e punidos por qualquer ato impróprio que cometerem na função). Nessa lógica, tanto prefeitos quanto governadores e presidentes passarão a ser literalmente empregados do povo, de modo que quem não andar na linha vai cair feio. Tenha em mente que não sei qual linha é essa que acabei me de referir, já que ela será decidida pela própria população. No entanto, é preciso ter em mente que, antes mesmo das pessoas optarem por qual direção que o governo deverá seguir, a população já teria entrado em contato com inúmeros pontos de vista ideológicos diferentes para escolher entre os distintos projetos de leis propostos aquele que acredita ser o melhor para si.

Em resumo, a essência da autogestão é participativa e cada pessoa pode enfim ser útil e fazer a diferença, não apenas votando nas idéias que acha ser certas, mas também compartilhando informações aos outros. Tal regime instiga o povo a conversar mais sobre assuntos que fazem a diferença no mundo, favorecendo seu crescimento intelectual. Ou seja, a autogestão é um excelente investimento em educação, mesmo que não seja gasto um único tostão com esse objetivo. Quem presenciou o referendo das armas de 2005 aqui no Brasil deve ter constatado que a participação direta da população a fez levar discussões sobre esse tipo assunto para barzinhos e lugares onde nunca ocorreria normalmente. Se alguém procura um meio para a conscientização mundial, não seria a participação direta na política o caminho?

Participação gera interesse. Em geral, as pessoas só começam a se interessar por um assunto qualquer quando precisam dele ou quando percebem que tem uma relação direta com suas vidas (como alguém que anda insatisfeito com seu corpo e quer saber o que precisa fazer pra mudá-lo, daí corre atrás para conhecer os meios que atingem tal objetivo: exercícios, dietas, cirurgias). A participação gera experiência empírica, que leva as pessoas a aprender as coisas por si mesmas, por isso é o melhor meio de acumular conhecimento. Então, pra se ter uma população mais educada e consciente, é preciso dar-lhe responsabilidade para fazer as coisas por si só. No entanto, por mais que se produza vários benefícios em termos de educação social, ainda é questionável se indivíduos com pouco conhecimento poderiam eleger projetos de leis importantes, determinando assim o futuro da sociedade. De forma a entender isso melhor, veja o vídeo abaixo e imagine qual a direção que um país seguiria se fosse guiado por pessoas desse tipo:

Apesar do vídeo ter sido feito numa comemoração de carnaval (e, a princípio, uma festa não é lugar pra ficar se preocupando com as coisas de política), a sensação que fica é de tristeza pois sabe-se que as mesmas respostas se repetiriam por todo o território nacional independente da data e local das entrevistas. Portanto, a falta de conhecimento da população é o que justifica a necessidade de se selecionar os indivíduos para que apenas os mais aptos possam escolher o futuro do país. A razão disso é óbvia, pois quanto mais uma pessoa conhece sobre algo, mais ela é capaz de estar certa sobre determinada opinião. Assim, se a política for baseada em pessoas com maior bagagem intelectual, haverá um maior aproveitamento dos recursos e avanço social. Mesmo que isso pareça ser excludente e discriminatório por privar determinadas pessoas de decidir na política, é na verdade uma inclusão qualificada, uma vez que todo mundo terá o direito de decidir as coisas, desde que possua os requisitos mínimos de escolaridade (do mesmo jeito que é para se exercer qualquer profissão regulamentada).

Em países com baixo nível educacional, como o Brasil, tal prática inviabilizaria a maior parte das pessoas de decidir as coisas da sociedade, o que não seria muito democrático. Porém, nem sempre a democracia é a melhor opção, já que depende muito de quem é a maioria que decide as coisas. Por exemplo, imagine uma casa com o pai, a mãe e seus 10 filhinhos. Pela lógica da democracia, a maioria sempre deveria mandar, de modo que os pais acabariam obedecendo a vontade dos filhos, independente de terem mais experiência de vida ou de serem os únicos que trabalham para sustentar o resto. Já imaginou como cresceria uma criança criada assim? Por causa disso, as decisões deveriam ser tomadas pelos pais, porque (em tese) seriam as mais adequadas ao futuro dos filhos. Logo, deve mandar mais em algo quem entende mais daquilo. Numa visão prática, é preciso filtrar o nível dos participantes para aumentar a qualidade das políticas. Senão:

Contudo, ainda é muito importante considerar outros requisitos além do nível de escolaridade, de forma que a amostra da população selecionada para tomar decisões não pareça favorecer certos grupos sociais em detrimento de outros. Ou seja, por mais que níveis elevados de escolaridade permitam obter uma margem maior de indivíduos críticos, se colocássemos apenas doutores para tomar as decisões, estaríamos tendo representantes de uma parcela específica da população que se diverge economicamente do padrão médio. Nesse sentido, conciliando o aspecto intelectual com a representatividade popular, creio que nas condições brasileiras atuais o nível de ensino médio seja um critério adequado, pois é uma amostra heterogênea que reflete melhor a realidade da sociedade. Claro que o nível médio não é um critério suficiente dentro do ponto de vista intelectual, mas a medida que mais pessoas forem se graduando no nível superior, o parâmetro de escolaridade poderia se elevar sem que prejudicasse a representatividade da população.

Outro ponto positivo de se escolher o nível médio como critério de escolaridade (em comparação aos mais elevados) é que nele há mais pessoas para participar das decisões, o que ajuda a disseminar discussões políticas nos mais variados ambientes da sociedade, permitindo que pessoas até então desavisadas (ou que desconheçam os assuntos) entrem em contato com tais informações. Nesse esquema, o povo estará aprendendo e se educando, sem que o governo invista qualquer centavo a mais em educação (e a solução dos nossos problemas não está justamente na educação?). Isso significa que, mesmo que nas primeiras votações dos projetos de lei a sociedade não escolha os melhores, ela passará por um contínuo processo de debate que levará cada vez mais pessoas a optarem por opções mais benéficas no futuro. Portanto, caso a autogestão não resolva alguns problemas de imediato, com certeza em médio prazo os mesmos seriam solucionados de vez, já que tal prazo é necessário pras pessoas debaterem melhor e aprenderem quais os tipos de políticas seriam as mais adequadas. Afinal, se as pessoas escolhem algo que na prática se torna inviável, podem voltar atrás e refazê-lo até acertar. A experiência desse processo faz com que os ganhos de conhecimento social sejam permanentes, reduzindo os erros que poderiam ocorrer nas próximas decisões (um aumento de eficiência que inevitavelmente levará qualquer nação ao progresso).

Devido as inúmeras escolhas a se fazer nos mais variados setores da política, nem mesmo os gênios dos gênios terão intelecto abrangente o suficiente pra entender quais seriam as melhores opções nas áreas que dominam menos, o que os levariam a consultar conhecedores daquela área específica. Isso quer dizer que o efeito de aprendizado social vai valer pra todas as pessoas. É por isso que, individualmente, ninguém terá domínio de todos os assuntos para votar; no entanto, coletivamente há na sociedade uma heterogeneidade de pessoas e funções, de modo que irá variar as pessoas que votarão as propostas de cada assunto. Por exemplo, posso não entender nada sobre qual a melhor política que poderá incentivar a produção de chips eletrônicos e até poderia deixar as escolhas dessas propostas pros profissionais destas áreas (ou poderia aprender com eles pra votar também); contudo, como entendo melhor de programas relacionados a área da saúde, poderia ajudar a disseminar conhecimentos para que mais pessoas aderissem as propostas que acredito serem favoráveis. Tudo aqui passa a ser uma relação de troca de conhecimento e quem ganha no final somos todos nós. Em outras palavras, a informação melhora com o uso:

Como hoje vivemos na Era da Informação, é frenético o compartilhamento de dados, o que através de uma filtragem adequada propicia um polimento constante na sua qualidade. Porém, ao contrário de antigamente, não há mais um usuário final das informações, o que permite todo mundo ser tanto produtor quanto receptor de conteúdo. Isso significa que toda pessoa ou entidade, no que tange a esse assunto, é um intermediário. Por exemplo, ao ler este texto você está sendo um receptor, mas a partir do momento que comenta algo a respeito, está produzindo seu próprio conteúdo, e eu e as outras pessoas passamos a ser seus receptores. Em resumo, a ordem das coisas se faz pela interação, conceito que é defendido na palestra abaixo:

No entanto, informação e conhecimento são coisas distintas. A informação é momentânea, que chega e vai, independente se servirá para o crescimento intelectual de quem entrou em contato com ela. O conhecimento é definitivo e leva mais tempo para ser construído, pois depende do acúmulo de muita informação por parte de alguém. Isso quer dizer que a informação passa e o conhecimento fica. Além disso, quem sabe mais tem maior capacidade de fazer uso das informações que entra em contato. Devido a isso, o desvio da luz de um determinado astro pode não significar porcaria nenhuma para um pipoqueiro, mas é algo essencial para um físico comprovar teorias que justificam a existência do universo. Então, quando propago aqui a teoria de que os políticos são desnecessários, estou sugerindo que é possível existir um mundo onde as pessoas façam as coisas por si só e que, pelo fato das pessoas debaterem mais assuntos com informações relevantes pro planeta, promoverá também o aumento de conhecimento social. Detalhe: uma população que sabe mais, vai mais longe.

Na contramão, a educação crítica é aquilo que os governantes não querem pro seu povo. Afinal, teriam mais gente cobrando resultados e exigindo punições por qualquer ato indevido (sem falar que é mais fácil ganhar votos de quem não entende nada). Tais fatores explicam as péssimas políticas educacionais que temos no Brasil, onde professores são obrigados a passar alunos incompetentes de série. O governo justifica dizendo que a reprovação causa prejuízos enormes ao país, mas isso esconde a intenção dos políticos em aprovar o máximo de alunos (de qualquer jeito) porque esse índice serve de estatística para mostrar ao povo que suas políticas de ensino estão dando certo e, com isso, conseguir mais eleitores. Porém, isso serve de estímulo a falta de esforço e, no final, o prejuízo pra sociedade sai muito mais caro que se a aprovação fosse apenas por mérito. O pior de tudo é que até mesmo o próprio currículo escolar em si é voltado pra deixar as pessoas dependentes, programando-as para um dia se tornarem empregadas de alguém, sem qualquer noção de como criar e tocar seus próprios negócios. Em outras palavras, falta no ensino matérias que dêem mais autonomia e independência pros indivíduos, como o empreendedorismo.

Felizmente, apesar da nossa péssima educação, as pessoas costumam ter conhecimentos básicos que as permitam acessar a internet (me refiro aqui a parcela dos jovens), graças ao fato de que a navegação exige apenas habilidades simples do usuário. E, dentre a enorme diversidade de conteúdo existente, as pessoas costumam se concentrar mais nas redes sociais, tanto é que a quantidade de brasileiros no Orkut supera a população inteira da Argentina. Portanto, nada mais natural que surjam apelos de todos os tipos (incluindo campanhas eleitorais) para as pessoas que trafegam pelas mídias sociais. Em outras palavras, a internet é um meio fácil para as pessoas que não entendem sobre algo de buscar informações com outras pessoas, na expectativa de melhorar seus próprios conhecimentos (foi graças a essa troca de informações que pude formar grande parte do conhecimento uso aqui para defender minhas idéias).

Contudo, o acesso a internet no Brasil é muito desigual, sendo menor na população carente e distante dos grandes centros urbanos. Assim, tais pessoas ficariam impossibilitadas de participar da autogestão. Mas o fato é que essas mesmas pessoas também não teriam chance alguma de protestar contra os políticos, pra cobrar deles que cumprissem as promessas das campanhas (se não conseguem pagar a internet, como é que vão conseguir pagar um busão pra Brasília?). Tanto na democracia como na autogestão as populações mais afastadas ficariam dependentes das escolhas de seus “representantes” (sejam estes os políticos ou os que têm acesso a internet). Porém, é simples definir quem representaria melhor seus interesses, pois enquanto a maior parte das doações e ajudas para desabrigados de catástrofes vem do povo, há governos que não desembolsam um único centavo (enquanto o povo ajuda, os políticos, além de não fazerem nada, tiram dinheiro da sociedade). Com isso, não é muito difícil perceber que há muita gente boa pelo mundo e que, até o momento que os desprovidos de internet a tenham pra expressar suas vontades, o representante mais adequado para tais pessoas seria o próprio povo. Veja que, ao contrário da democracia, essa limitação da autogestão é apenas temporária, já que teremos cada vez mais a internet numa imensidão de lares, uma vez que a banda larga é essencial pra incentivar o desenvolvimento da economia.

Dentre os vários avanços da tecnologia que beneficiaram a humanidade, a internet ocupa um lugar especial pois, além das mudanças que já fez, ainda poderá permitir que as pessoas participem da autogestão (o que deverá fazer as coisas funcionarem bem melhor). Apesar de nem todo avanço científico significar progresso, a idéia aqui é usar essa nova possibilidade da internet pra mudar o modo como as pessoas se relacionam e acabar assim com problemas que vêm atrapalhando nosso desenvolvimento como espécie por milênios: as injustiças sociais. O que torna isso possível é o fato da autogestão ser totalmente participativa, permitindo que as pessoas deixem de ser torcedoras (de políticos e seus partidos) para ser jogadoras. Assim, deixarão de votar em alguém (pessoa) e passarão a votar em algo (projetos de lei); o povo viverá as escolhas que ele mesmo fizer, e não as que forem feitas para ele. Essa distinção é a prova fundamental de que a autogestão é mais democrática que a democracia. Considerando essas premissas, podemos expressar como se dá a liberdade social dentro de cada regime na fórmula: Ditadura < Democracia < Autogestão.

A relação entre poder e liberdade é inversa: quanto menor é o poder, melhor fica pra sociedade. E como na autogestão o poder será fragmentado na população, as coisas ficarão muito melhores do que as temos na democracia. É nesse sentido que a política precisa aprender com o mercado: evoluir. Afinal, quando uma invenção (máquina de escrever) torna-se obsoleta, troca-se por outra que a substitua com mais benefícios (computador). Ou seja, quando existe algo melhor que substitua o anterior, devemos colocá-lo em prática; assim como os cobradores de ônibus e lanterninhas de cinema foram substituídos porque sua função não era mais necessária, o mesmo deve acontecer com os políticos.

É aí que entra a parte mais importante da autogestão: com o poder nas mãos do povo, toda a lógica política e econômica do mundo poderá se inverter. Mantendo o controle das leis e mandando na administração, as pessoas vão definir quanto e onde será investido o orçamento, além de também terem poderes para decidir propostas de licitação e contratos administrativos. Desse modo, muitas coisas estabelecidas poderiam ser mudadas, desde o serviço militar obrigatório até as leis sobre herança, direito autoral e patentes, tributação, entre outras. Mas não há como prever em qual direção que as coisas vão seguir, já que tudo dependerá do que o povo escolher pra si. Tal quadro demonstra o maior mito da nossa sociedade nesse milênio: aprender a andar com as próprias pernas. Por mais que já tenhamos a tecnologia e o conhecimento que precisamos, ainda assim vivemos dependentes das decisões dos políticos. Então, o que se deve fazer pra mudar?

A resposta é simples: mais ação e menos discussão. Embora a internet seja útil pra ajudar na interação de idéias, os protestos que nela surgem e apenas nela continuam não resolvem nada. Se é para existir uma mudança na vida real, é preciso que as ações também sejam reais. As leis só são válidas enquanto o povo as aceita, mas a partir do momento que a sociedade se recusa a aceitá-las, elas perdem a razão de existir. Então, a maneira mais prática que encontrei para incentivar a autogestão foi bolar uma maneira de mostrar para as pessoas que as coisas poderiam funcionar muito melhor sem os políticos (do Poder Legislativo), razão essa pela qual generalizei no título que os políticos em sentido amplo são desnecessários. A intenção é ajudar as pessoas a perceber que a função deles é um retrocesso na atual Era da Informação e que, por isso, é necessário uma mobilização social para substituí-los pelo sistema virtual da autogestão.

Não há razão para temer um sistema virtual, pois os bancos já o usam de modo que gera resultados reais (se alguém transfere dinheiro pra sua conta, você ganha), portanto o mesmo deveria ocorrer na política. Mas a nossa Constituição é atrasada e proíbe as mudanças que seriam ocasionadas pela autogestão (já que a mesma altera a relação entre os 3 Poderes), motivo pelo qual precisa ser substituída por uma nova que faça uso dos avanços tecnológicos obtidos ao longo das décadas que seguiram. Obviamente, será necessário criar um software operacional pelo qual as pessoas irão trafegar e votar nos projetos de lei respectivos ao seu título de eleitor. Fica a dica para programadores que quiserem se aventurar em desenvolver um software assim, pois poderiam merecidamente receber um bom dinheiro do governo (na implantação da autogestão) em retribuição aos serviços de grande importância prestados a toda sociedade.

Ao retirar os políticos, toda e qualquer empresa (ou outras entidades) que mantêm acordos ilegais com eles perderiam o suporte de seus benefícios. Junto com isso, quase todas as teorias e rumores conspiratórios cairiam por água abaixo. Nesse panorama, veremos senadores, deputados e vereadores como se fossem máquinas de escrever, elementos que ficaram inadequados com o tempo e acabaram sendo substituídos por outros mais eficientes. Mas, infelizmente, o que se percebe hoje são as coisas evoluindo e a democracia parada no tempo. Vale lembrar que as coisas não mudam do dia para a noite, é preciso que passem por um processo, mas como toda mudança tem o seu começo, estou aqui tentando fazer a minha parte. O vídeo que fiz no começo do post foi feito pra camada média da população e só não me aprofundei muito nele (como o faço nesse texto) pra não assustar ainda mais quem está tendo o primeiro contato com essas idéias. Isso porque a população média costuma defender a democracia como sendo o único meio da nossa sociedade funcionar, mas é por estar limitada a essa mentalidade que sofrer todos os dias nas mãos dos políticos. É isso o que faz as nossas crenças serem, muitas vezes, as maiores inimigas da nossa liberdade.

O que estou colocando aqui não é a palavra final sobre o assunto, já que tudo se trata de uma construção. A minha intenção é mostrar as pessoas que a autogestão pode ser uma opção pra construir um futuro melhor pra humanidade, já que é participativa. O que proponho vai muito além da antiga discussão entre direita e esquerda (que são distinções ideológicas da democracia), porque o que realmente interessa é dar poder ao povo para que este escolha diretamente o seu destino. Nesse sentido, a autogestão é um conceito que está em um novo plano político, em sintonia com a evolução tecnológica da humanidade, de modo que pode ser apreciada por todas as pessoas, independente de qual seja sua orientação política.

Quero lembrar que autogestão é uma idéia conhecida a mais de 150 anos e eu apenas visualizei um meio de combiná-la com a internet, para que juntas fossem capazes de devolver o poder de decisão ao povo. Mas, por incrível que pareça, a autogestão pela internet não é uma idéia a frente do nosso tempo, já que esta se baseia em tecnologias atuais que convivemos com elas no dia-a-dia. Uma proposta diferente e que também se baseia na autogestão é o Projeto Vênus. Todavia, o nível de discussão dele é diferente, pois é amonetário (o dinheiro não existe) e presume uma sociedade com uma consciência totalmente diferente, requisitos que estão a frente do nosso tempo. Portanto, se é pra ter mudanças rápidas e eficientes hoje, é melhor focar em trocar os políticos (do Poder Legislativo) por um sistema virtual. Pelo menos, é nisso que acredito.

O que você acha?

Escrito por: Leandro Zayd; em: Idéias

  • Eu disse:
    2 de julho de 2010 às 7:44

    Já parou pra pensar que.
    Se não existir alguém que mande,
    e sim o povo, como o cara do video.

    Quem fará os projetos?
    e os impostos? certeza que a maioria dos brasileiros
    votaria a favor da extinção dos mesmos, afinal,
    pra um brasileiro tipico, problema é dos outros,
    quer tirar vantagem de tudo.
    E isso não é estudo que concerta uma mente mediocre
    dessa.

    Sem impostos = sem dinheiro pra manutenção do pais.

    Soma-se o fato de quem vai representar o pais nas relações externas?

    Em decisões que exigem + estudo.
    Controlar uma crise, por exemplo?
    não é alguém que terminou o ensino médio que vai
    saber prever o impacto de um crise do outro lado
    do mundo.

    Como, “colocar” alguém no poder de alguma estatal??? Como que vai ficar?

    eu poderia fazer um texto sobre os vários problemas
    que existiria se não houvesse um “lider” em especifico.

    Mas digo, que em paises onde as pessoas não são
    oportunistas, como o Japão, por exemplo, indice de
    corrupção é baixissimo, salários dos politicos,
    comparados ao do Brasil também são baixissimos,
    isso porque é um pais de primeiro mundo, um dos mais ricos do mundo.

    e eu não apoio a corrupção, apoio pessoas honestas no poder.
    Mas como brasileiro honesto e Poney colorido são igualmente dificeis de encontrar.
    É complicado.

  • felipe disse:
    2 de julho de 2010 às 13:45

    vei ninguem vai ler isso tudo..
    poem um resumo ai.
    e um topico pra quem quer se aprofundar no assunto.

  • Paula disse:
    2 de julho de 2010 às 20:06

    esse é exatamente o problema do brasileiro

  • kisuki disse:
    2 de julho de 2010 às 21:18

    o carinha ai de cima o tal do eu
    VC E MUITO BURROOOOOOOOOOOOOO E MAIS UM ESCRAVO SEU BURROOOOOOO

  • Denise disse:
    5 de agosto de 2010 às 2:28

    mandou mto bem!!!!

  • PJ disse:
    23 de agosto de 2010 às 16:08

    Diminuindo os salários dos políticos até um salário NORMAL já bastaria, não? Aí eles se candidatariam por idealismo e não por dinheiro.

  • Ricardo Mello disse:
    23 de agosto de 2010 às 19:38

    Estou sem tempo pra ler tudo agora, mas quando chegar em casa vou ler sim. Ainda bem que existem pessoas como você que se preocupam de alguma forma em passar idéias pra frente. Continue assim.

  • Ricardo Mello disse:
    24 de agosto de 2010 às 1:20

    Texto foda, no mínimo, me fez refletir pra caralho.
    Obrigado.

  • Nickson disse:
    28 de agosto de 2010 às 18:47

    Texto muito mais bem legal apoio muitas coisas que você fala mais tem ainda muita coisa para arrumar nesse projeto.

    Acho é uma boa iniciativa e espero que a partir daqui muitos outros projetos possaum vir.

    Boa sorte.
    Estarei divulgando muito para que pelo menos alguns amigos possa prestar mais atenção em quem e no que votar.
    parabens.

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